Alerta
Abelhas geram medo no Laranjal
Moradores da rua Esteio reclamam de enxame que permanece no local há cerca de dois anos
Carlos Queiroz -
Um enxame de abelhas está assustando pessoas que transitam pelo Laranjal. Moradores relatam que os ataques ocorridos, e que se estendem por mais de um ano, têm causado pânico e dúvidas sobre como proceder nesses casos. A depredação do habitat natural desses insetos tem feito com que cada vez mais haja a ‘invasão’ do ambiente dominado pelo homem e as consequências já são sentidas.
Uma árvore que, até então, se mostrava inofensiva aos moradores da rua Esteio, no Laranjal, tem tirado a tranquilidade daqueles que precisam passar pelo local. Segundo Mariângela Paz, que possui casa em frente ao tronco tomado pelos insetos, as abelhas apareceram há cerca de dois anos. Apenas nesta primeira semana de fevereiro pelo menos quatro pessoas já foram ferroadas. “De dentro de casa a gente começou a escutar algumas meninas gritando e tinha um enxame atrás delas. Foi horrível” contou.
Entre as pessoas afetadas diretamente, seu marido também foi ferroado e relatou que solicitações já foram feitas aos órgãos competentes, mas acabou caindo no esquecimento. “Já foi pedido para que viessem retirar o enxame, mas ainda não foi tomada nenhuma providência. Nessa semana ao sair à rua para atender um paciente que estava chegando na minha casa, fui picado na testa. A vizinha foi picada também, além do pessoal que passa ali”, comentou o terapeuta Taiguara Santos. O Centro de Controle de Zoonoses do município afirmou não ter recebido nenhuma solicitação.
Uma funcionária de um minimercado local, que preferiu não se identificar, relatou o fato que presenciou na última quinta-feira. “Estava chegando para trabalhar e ouvi pessoas pedindo ajuda porque haviam sido pegas por abelhas. Foi quando peguei um frasco de veneno, o primeiro que eu vi, e despejei” descreveu a cena. Segundo ela, duas mulheres corriam em busca de ajuda, enquanto um idoso chorava de dor, próximo ao comércio.
Reflexo da degradação ambiental
A explicação para o intenso aparecimento de insetos nas cidades está vinculada à destruição da natureza. “Os insetos em geral estão desaparecendo. As abelhas, inclusive. Houve um grande declínio nas espécies de abelhas nas últimas décadas, muito devido à perda do habitat, ao desmatamento, à poluição e principalmente à aplicação de agrotóxicos. Aquelas que não desaparecem, migram para as cidades em busca de abrigo” explica o professor do Instituto de Biologia da UFPel, Cristiano Iserhard.
O biólogo alerta que o ideal não é matar os animais e que a agressividade é demonstrada apenas quando eles se sentem em perigo. “O ideal a fazer é chamar pessoas especializadas, que consigam remover a colmeia para uma área segura. Trata-se da abelha do mel, a Apis mellifera, que é o cruzamento da europeia com a africanizada e esta é muito agressiva, então para defender a colmeia elas podem atacar e como têm milhares, elas podem ser um problema para pessoas e animais” destaca.
Quanto a sua importância, há um papel crucial para o equilíbrio do ecossistema, a flora e a produção de alimentos. “Abelhas são polinizadoras fundamentais de - pensando no ser humano - dois terços de todo alimento em grãos e que dependa, em algum momento de polinização feita por elas. Sem elas nós não teríamos com o que nos alimentar. Além de ser responsável por grande parte da polinização de plantas cultivadas, também de plantas nativas, elas mantêm o ecossistema saudável, porque mantêm a reprodução de plantas, a diversidade do local e o ambiente fica mais saudável” finalizou.
A quem recorrer
Em caso de problemas similares, como enxames em via pública, a cidade conta com um órgão especializado na remoção de enxames: a Brigada Apícola Municipal. As solicitações em casos de locais públicos, podem ser feitas através do telefone (53) 3284-7731. Após a solicitação, uma equipe é encaminhada ao local para a verificação das condições de operacionalização. Caso as abelhas se encontrem em local de fácil acesso, são retiradas pelo próprio órgão. Já em locais de difícil acesso, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado. Dentro das residências é necessário o contato diretamente com um apicultor.
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